Um lote de esmalte volta do controle de qualidade reprovado: a leitura no grindômetro Hegman está grosseira, cheia de riscos, e o cliente reclamou de textura na película seca. A formulação é a mesma de sempre. O que mudou foi o dispersor de laboratório, trocado às pressas por um modelo que não gera cisalhamento suficiente para quebrar os aglomerados de pigmento.
Escolher esse equipamento no chute custa caro, e o erro costuma aparecer lá na frente, na bancada de ensaio. Um dispersor de alta velocidade é a ferramenta básica de quem molha e dispersa pigmento em tinta, verniz, tinta gráfica e adesivo. Antes de comprar, vale entender os poucos pontos que decidem se ele vai entregar dispersão de verdade ou apenas agitar o material.
O dispersor de alta velocidade resolve o quê, exatamente?
O dispersor não dissolve pigmento, ele desaglomera. Um disco de bordas serrilhadas gira em alta rotação e cria um fluxo turbulento intenso no meio líquido, com um vórtice característico que puxa o pó seco para dentro e promove a molhagem rápida. É esse cisalhamento que rompe os aglomerados e distribui as partículas no veículo.
Ele tem limite claro. O dispersor de disco trabalha bem em produtos de viscosidade baixa a média. Quando a viscosidade passa de algo em torno de 50.000 mPa.s, o disco perde eficiência e o caso pede outro tipo de equipamento, como misturador de múltiplos eixos ou planetário. Saber onde o seu produto cai nessa escala é o primeiro filtro da escolha.
Vale uma distinção de bancada: dispersão não é moagem. O dispersor pré-dispersa e molha o pigmento, e para chegar à finura final de tintas mais exigentes o material muitas vezes segue para um moinho. Um dispersor bem escolhido encurta esse ciclo.
Qual potência e faixa de velocidade escolher para o volume do lote?
Potência precisa casar com volume. A regra prática consagrada na indústria de tintas é da ordem de 1 HP para cada 10 galões (cerca de 38 litros) de dispersão. Em escala de laboratório, isso se traduz em faixas de 550 W, 750 W e modelos maiores até 2.200 W, cada um cobrindo uma faixa de volume de béquer.
O número que mais importa não é a rotação em si, é a velocidade de ponta (tip speed) do disco. Para a maioria dos pigmentos industriais, mira-se algo em torno de 20 a 25 m/s (na casa dos 5.000 pés por minuto). Abaixo disso aparece o fluxo em "rosca" (doughnut), em que o centro gira e as bordas do béquer ficam paradas, sem se misturar. Acelerar demais também é problema: passa a incorporar ar e formar espuma na tinta.
Por isso o controle de velocidade pesa tanto na escolha. Um dispersor com acionamento por inversor de frequência e leitura digital da rotação do eixo permite ajustar a velocidade ao produto e, principalmente, repetir a mesma condição lote após lote. Sem esse número na tela, cada dispersão vira um palpite diferente.
Que disco dispersor usar e qual a relação disco/recipiente ideal?
O disco Cowles serrilhado é o padrão para dispersão. A relação entre o diâmetro do disco e o diâmetro do recipiente é o ajuste que mais muda o resultado: para tinta, a referência é cerca de 1:3, ou seja, disco com um terço do diâmetro do béquer.
Produtos mais espessos pedem disco proporcionalmente maior, e produtos bem fluidos aceitam disco menor:
| Tipo de produto | Relação disco : recipiente |
|---|---|
| Pasta espessa | ~1 : 2 |
| Tinta (uso geral) | ~1 : 3 |
| Produto fluido, tipo stain | até 1 : 8 |
Confira também o que vem junto do equipamento. Discos intercambiáveis em tamanhos como 50 mm e 60 mm, nas versões eficiente e reforçada, cobrem faixas diferentes de béquer e de carga sem obrigar a comprar peça avulsa depois. Há ainda disco de moagem para quando o processo precisa ir além da pré-dispersão.
Dispersor para produto à base de solvente precisa ser à prova de explosão?
Se o laboratório dispersa sistemas à base de solvente, como tinta de acabamento automotivo, verniz nitrocelulose ou tinta gráfica solvente, a resposta é sim. O vórtice de alta velocidade libera vapor inflamável, e um motor comum com centelhamento é fonte de ignição bem acima do béquer.
A versão à prova de explosão da linha, o BGD 742, usa motor e comando adequados a atmosfera com vapor de solvente, sem escova de carvão que produza faísca durante a operação. Para trabalho apenas com sistemas base água, um modelo padrão como o BGD 740 ou o BGD 741 resolve. Definir isso antes evita comprar o equipamento errado para o tipo de produto da casa.
Como confirmar a dispersão e escolher o BGD 740 certo?
Escolher o dispersor não termina na compra, termina no controle. A dispersão se mede: o grindômetro Hegman (finura de moagem, conforme a ASTM D1210) mostra em micrômetros até onde as partículas foram desaglomeradas. É esse número que diz se a potência, a velocidade e o disco escolhidos estão entregando o resultado.
É aqui que a linha de Dispersores de Alta Velocidade BGD 740 / 741 / 742 se encaixa no laboratório de tintas e revestimentos. São dispersores com acionamento por inversor de frequência, leitura digital da rotação e discos intercambiáveis, com opções de potência que acompanham o volume do lote, e o BGD 742 cobrindo o cenário à prova de explosão para produtos base solvente.
Na hora de fechar, cruze três coisas: o volume típico de béquer que você dispersa, a viscosidade e a base (água ou solvente) do produto, e a velocidade de ponta que o modelo atinge com o disco recomendado. Se esses três conversarem com a sua rotina, o equipamento entrega dispersão repetível, e o Hegman deixa de reprovar lote por causa do misturador.
Perguntas frequentes
O que é velocidade de ponta (tip speed) em um dispersor de laboratório?
É a velocidade linear da borda do disco enquanto ele gira, e não a rotação (RPM) em si. Para dispersar a maioria dos pigmentos industriais mira-se algo em torno de 20 a 25 m/s. Abaixo disso surge o fluxo em rosca, com as bordas do béquer paradas, e acima disso o material começa a incorporar ar e formar espuma.
Qual a diferença entre BGD 740, BGD 741 e BGD 742?
Os três são dispersores de alta velocidade da mesma linha, com acionamento por inversor de frequência e leitura digital de rotação. A diferença principal está na configuração e, sobretudo, na segurança: o BGD 742 é a versão à prova de explosão, indicada para dispersar produtos à base de solvente, enquanto os modelos padrão atendem bem sistemas base água.
Quando é preciso usar um dispersor à prova de explosão?
Sempre que houver dispersão de produtos à base de solvente, como vernizes, tintas gráficas solvente e acabamentos automotivos. O vórtice de alta velocidade libera vapor inflamável, e um motor comum pode gerar faísca e servir de fonte de ignição. Nesses casos, um modelo à prova de explosão como o BGD 742 é a escolha segura.
Qual a relação ideal entre o disco dispersor e o recipiente?
Para tinta de uso geral, a referência clássica é cerca de 1:3, com o disco tendo aproximadamente um terço do diâmetro do béquer. Pastas mais espessas pedem disco proporcionalmente maior (chegando perto de 1:2) e produtos bem fluidos aceitam disco menor. Ter discos intercambiáveis de tamanhos diferentes facilita ajustar essa relação para cada carga.
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